sábado, 30 de abril de 2011

Um indicador de sucesso: o engajamento dos oportunistas


Na audiência de conciliação marcada pela magistrada Carmem Lúcia dos Santos Fontoura, na última quinta-feira 28, a fim de tratar da desocupação da Praça General Flores da Cunha, mais conhecida por Praça dos Cachorros, todos os intimados e convidados compareceram, como era de se esperar.


A audiência foi vedada a não convidados. A juíza declarou ao jornal A Platéia: “O processo está iniciando, não há nada definitivo. Vamos manter discrição com relação aos atos”. E completou a magistrada: “Queremos conciliar o interesse da comunidade, que quer ver a praça recuperada, com o das pessoas que dependem daquela estrutura e que em algum momento tiveram autorização de ocupar aquele espaço.”


O prefeito Wainer, na saída da audiência, informou que nada do que havia sido tratado poderia ser divulgado, afirmando: “Definimos questões sobre um tema de interesse da comunidade, porém não podemos falar agora sobre o assunto.”


Em respeito à vontade da autoridade judicial e o comprometimento das autoridades em manter o sigilo do que foi tratado, aguardaremos o resultado dos ajustes e obrigações que foram combinados perante o Poder Judiciário.


Entretanto, a comunidade deve permanecer mobilizada, até a efetiva e completa desocupação da praça, seguida da integral restauração dos locais hoje devastados por trinta anos de ocupação caótica, ilegal e degradante.


Um dado inusitado foi a tentativa frustrada do representante dos camelôs, Abdalah Suleiman, de entregar à juíza, uma proposta de projeto para a realocação dos espaços e revitalização da praça. Mais curiosa ainda foi a tentativa de interlocução do vereador Batista Conceição (PSB), que até a presente data nunca tinha se manifestado sobre a vergonha da fronteira, a exemplo de todos os seus pares da Câmara de Vereadores de Livramento, que sempre tiveram uma atitude de omissão contemplativa para com o problema da Praça dos Cachorros e o constrangedor caos da linha da fronteira.


Um indicador seguro de que a situação se aproxima de um desfecho definitivo – a desocupação e a restauração das praças públicas – é que os oportunistas e adesistas de última hora começam a surgir aqui e acolá, na tentativa de pegarem carona na mobilização cidadã da comunidade santanense e riverense.


Quando os oportunistas se engajam é porque um movimento – que começou improvável e cercado de ceticismo – passou a ser tocado pela faísca do êxito. Êxito esse, sempre coletivo, cidadão, inominado, politizado e apartidário.

2 comentários:

Ferreira K.P. disse...

O simples fato dos participantes da reunião, chamos e convidados pela Juíza, não poderem divulgar o que foi discutido, reforça a idéia da existência de interesses comuns, tanto do poder público quanto dos camelôs. Interesses esses que deveriam ser transparentes, mas não é. Vergonhosa posição da Câmara de vereadores e do Executivo da Santana do Livramento.
Minha adesão a esta luta só tem um motivo: rever a praça onde passava minhas férias escolares durante muitos anos quando visitava meus avós que aí residiam e brincávamos neste espaço observando os cachorros e os demais atrativos. O carinho por este lugar é tão grande que até hoje visito esta cidade uma vez por ano, no final do verão, porque moro no litoral.
Segue a luta e continuo acompanhando daqui de longe, mas com o coração bem perto. MEU BLOG: www.ferreira.blogspot.com

IVANCEZAR disse...

Conheço a Dra. Carmem Lucia Fontoura - tive a honra de trabalhar em dezenas de processos com ela - Magistrada séria e extremamente eficiente. Não tenho dúvidas de que o resultado renderá bons frutos. Penso que, acima de tudo, voces que iniciaram e lideraram esse movimento estão de parabéns pelo belo exemplo de CIDADANIA que deram para todos. E quando digo TODOS não me refiro apenas aos munícipes santanenses, senão que ao próprio RS e Brasil, onde raramente a sociedade civil se mobiliza. É na sombra da inércia das forças vivas que os poderes públicos acabam fracassando no dever de buscar a paz social e o equilibrio das relações coletivas. Em verdade o caos consolidado na fronteira resultou de anos de inércia e tolerância ao ilícito, contexto que conjugado ao empobrecimento da região GEROU O CAOS.
De qualquer forma, merecem voces nossos PARABÉNS e o reconhecimento de centenas de pessoas que hoje moram fora, mas deixaram nesses espaços PÚBLICOS momentos sagrados da infância e da juventude.